CONTOS DO RABUGENTO: O IDIOTA DO PICANTO

Nem tava tanto calor. Os exercícios da fisioterapia não tinham sido tão chatos como de costume e o trânsito de janeiro fluía como em poucas outras vezes.

Tudo ia tão bem que quando Cadu viu lá o Picanto parado no meio da rua, demorou um tanto pro sangue lhe subir a cabeça

 Era uma ruinha não muito larga em Perdizes, carros estacionados nos dois lados. Antes de perceber que o carinha estava parando o trânsito, ainda lhe ocorreu um pensamento – Picanto..., que nome estúpido.

O Picanto estava parado bem na sua frente. Com a cabeça meio pra fora, o motorista gesticulava e falava com uma outra pessoa na calçada.

Bicho folgado – era isso que o Cadu pensava enquanto esperava os carros que vinham no sentido contrário.

 Engatou a primeira e passou devagar, encarando o idiota do Picanto que não deu a mínima, apesar do carro de Cadu ter passado exatamente no pedaço de rua que sobrava entre ele e a pessoa com quem ele combinava um serviço de encanador. 

 Cadu já conhecia aquela sensação. Um calor lhe subia pela espinha que até ardia.

Nas primeiras vezes, ele ainda tinha dúvidas. Agora não. Fazia um trabalho que a sociedade, generalista, jamais conseguiria fazer. Mas obviamente, tinha que ser feito por alguém.

-A cara de pau de certas pessoas não tem cura, são parasitas.

Estacionou o carro, e caminhou alguns passos até a esquina. Nessas horas, raciocinava rápido e agia sem hesitar. Viu o Picanto descendo a rua e já sabia exatamente o que ia fazer.

O carro nem chegou a parar, mas reduziu a velocidade. O suficiente pra Cadu abrir a porta de trás do motorista e entrar. O idiota do Picanto pisou no freio e ficou sem ação, paralisado no meio do cruzamento.

-Tira o carro do meio da rua. Encosta essa porra!- Cadu berrava enquanto soltava o sinto de segurança do motorista

Desesperado, o cara estacionou como conseguiu. Implorou com a voz trêmula – Calma! Leva o carro e o dinheiro, mas deixa eu sair pelamor de Deus.

Nas primeiras vezes Cadu achava que as pessoas tinham o direito de saber por que. Agora não. Puxou com força as duas pontas do cinto de segurança

 Sufocado, o homem tentava de todo jeito se desvencilhar do cinto. Tentou gritar, mas a voz não saiu. Fez um último esforço jogando o corpo pra frente e depois ficou imóvel no banco. Morto.

De volta ao seu próprio carro, Cadu procurou uma música mais animada no ipod. Buscou a filha na escola, comeu pizza de mussarela e assistiu futebol na TV. Não fosse pelo nome estúpido, nem se lembraria do carro do idiota.

ABRE A BOCA GALVÃO!

 No universo das transmissões de futebol e esportes em geral, Galvão Bueno é o judas que nós tanto amamos malhar. Com razão. O homem nos enche os ouvidos de ufanismos e asneiras, isso quando não faz questão de mostrar a todos o quanto é amigo do Felipe Massa, do Ronaldo, da Maureen Maggi, do Papa...

Mas, como tudo que é ruim pode ficar ainda pior, um novo fenômeno (não o gordo) anda me fazendo sentir falta das baboseiras do Galvão e até do Arnaldo Cezar Coelho.

 Existe coisa mais irritante que o narrador ficar lendo nomes e mandando abraços no meio do jogo?

 "O fulano de piracicaba ta assistindo a gente com a namorada e a sogra, dona Beltrana"

"O Zé das Quanta manda avisar ao chefe que não vai conseguir acordar amanhã porque o jogo vai acabar muito tarde"

Porra, tá pensando que é Domingão do Faustão?

Além do Mané que quer ouvir o próprio nome na televisão, que ser humano pode se interessar por isso?

Já não basta que os canais como os da ESPN e o BandSports tenham horas de programas destinados a encher lingüiça, com muita falação e leitura de e-mails, eles ainda nos fazem engolir essa pretensa interatividade de quinta categoria durante os jogos.

Se os telespectadores mandassem perguntas ou comentários, até que ia. Só que isso é acontece na extrema minoria dos casos, no máximo o sujeito fala pra que time o outro torce e depois manda o famoso "obrigado e um grande abraço"

Se não tem o que falar, deixe o som ambiente do estádio.

Vai ficar muito melhor.

É O FRIO

 Olha a manchete:

 06/01/2009 - 09h26

Empresário diz que único problema de Adriano na Itália é o frio                                                                                              http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas/2009/01/06/ult59u182895.jhtm

 Eu não costumo acompanhar o campeonato italiano e nem leio o Correio de la Sierra. Mas não precisa, vira e mexe a gente da de cara com uma notícia de treta envolvendo o ex- Imperador.

 Esta semana, depois de seu pupilo cair na balada e chegar atrasado (ou faltar) ao treino pela nãoseiqualésima vez, o empresário Gilmar Rinaldi se saiu com a seguinte:

 "A situação dele não é complicada, pelo contrário. Adriano está atualmente muito bem. O único verdadeiro problema para ele agora é o frio"

Esse inverno europeu é mesmo um problema. Já com a mulherada, com as boites e as garrafas de wisky o Adriano nunca teve problema algum. 

God Damn Test

Esta porra é um teste.

Só da pra ver como fica o diabo do blog depois de publicar a primeira mensagem?

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